REATORES · NEUTRO
É a menor peça do banco de reatores e a que decide se a linha religa. Ligado entre o ponto neutro do banco e a terra, ajusta a impedância que a linha apresenta à sequência zero — e é esse ajuste que apaga o arco secundário no intervalo morto do religamento monopolar.
AT e EAT
acompanha o banco shunt
Neutro do banco
entre o ponto neutro e a terra
Religamento
monopolar, arco secundário
Por projeto
a partir dos parâmetros da linha
VISÃO GERAL
Extinção do arco secundário
Numa falta monofásica, abrir só a fase defeituosa não apaga o arco: as duas fases sãs continuam alimentando o ponto de falta pelo acoplamento capacitivo entre elas. O reator de neutro compensa esse acoplamento e derruba a corrente residual a um valor que se auto-extingue no intervalo morto.
Religamento monopolar viável
Sem a extinção, o religamento reacende o arco e a linha vai a desligamento tripolar — exatamente o que o religamento monopolar existe para evitar em tronco de extra-alta tensão. O reator de neutro é o que torna a filosofia de proteção realizável.
Aterramento de neutro
Na outra aplicação clássica da família, o reator entra no neutro do transformador para limitar a corrente de falta à terra ao valor que a proteção e a malha de aterramento suportam, sem isolar o neutro do sistema.
FAIXA DE FORNECIMENTO
O que a rede fabril entrega hoje em reator de neutro, por faixa de aplicação. O valor de impedância não sai de tabela: é calculado a partir das capacitâncias da linha compensada.
Aplicação principal
Neutro de banco de reatores shunt em alta e extra-alta tensão
Segunda aplicação
Aterramento de neutro de transformador, para limitar a corrente de falta à terra
Construção
Núcleo de ar a seco — o padrão da linha; outras construções sob projeto
Dimensionamento
Por projeto, a partir das capacitâncias própria e mútua da linha e do tempo morto de religamento
Fornecimento
Junto com o banco de reatores shunt, no mesmo escopo
Instalação
Externa, refrigeração natural (AN)
Envelope de fornecimento, não tabela de catálogo: as faixas detalhadas estão em confirmação com as fábricas. Fora dele, a engenharia avalia caso a caso.
TRANSMISSÃO
Não é escolha de catálogo nem regra de bolso: o reator de neutro é o resultado de um cálculo sobre a linha compensada. Trocar a linha, o grau de compensação ou a transposição muda o valor.
Começa nas capacitâncias da linha
As capacitâncias própria (fase-terra) e mútua (fase-fase) do trecho compensado são os dados de entrada. São elas que definem quanta corrente as fases sãs injetam no ponto de falta depois da abertura monopolar.
Depende do grau de compensação do banco
O reator de neutro e o banco shunt formam um conjunto: o valor do neutro só faz sentido para um determinado reator de linha. Especificar os dois separadamente, de fornecedores diferentes, é como o problema costuma aparecer em obra.
Transposição e circuito duplo mudam a conta
Linha não transposta e linha em circuito duplo têm acoplamento assimétrico, e o desequilíbrio entra no cálculo. É a diferença entre um valor que apaga o arco e um que só o reduz.
O tempo morto é restrição, não resultado
O intervalo entre abrir e religar vem da filosofia de proteção e da estabilidade do sistema. O reator tem de derrubar a corrente residual dentro daquele tempo — não adianta extinguir depois.
Solicitação de curta duração
Em regime, o neutro praticamente não conduz. É durante a falta que a unidade vê corrente e tensão, e é esse transitório — curto, mas severo — que dimensiona a isolação e a amarração.
Entra na mesma proposta do banco
Como o valor é derivado do banco e da linha, o reator de neutro é cotado junto — com o mesmo estudo por trás e a mesma responsabilidade técnica.
Conteúdo técnico de aplicação, redigido a partir de prática de projeto e de editais públicos de transmissão. O valor de impedância de cada empreendimento sai do estudo da linha e da lista de dados garantidos do proponente.
CONSTRUÇÃO
É o padrão da categoria, não um diferencial: bobina a seco, sem núcleo ferromagnético e sem líquido isolante. O que muda de um tipo para outro é o dimensionamento, não a construção.

Enrolamento em alumínio ou cobre
Condutor de pequena seção em camadas concêntricas: a tensão entre espiras fica baixa e o efeito pelicular, pequeno.
Amarração em fibra de vidro com epóxi
As camadas são amarradas e impregnadas em resina epóxi, o que dá ao conjunto a rigidez para suportar o esforço eletrodinâmico do curto.
Dutos de ar e refrigeração natural (AN)
O espaçamento entre camadas forma os dutos por onde o ar circula por convecção. Sem ventilação forçada e sem líquido para manter.
Braços de aranha e terminais
Cruzetas superior e inferior distribuem a corrente entre as camadas e levam a conexão aos terminais em barra chata.
Isoladores e pedestais
A bobina fica sobre isoladores-suporte dimensionados para a classe de tensão e para o arranjo — três fases lado a lado, empilhadas ou em triângulo.
Proteção de topo e acabamento anti-UV
Capa contra chuva no topo e tratamento superficial contra radiação ultravioleta e poluição, para uso ao tempo.
APLICAÇÕES
Cada aplicação tem um gatilho prático. O estudo da instalação confirma o arranjo e o ponto de conexão.
Tronco de extra-alta tensão
religamento monopolar
Linha longa de 500 kV ou acima, com banco de reatores shunt e filosofia de religamento monopolar: é a aplicação clássica do reator de neutro.
Linha em circuito duplo
acoplamento entre circuitos
Dois circuitos na mesma torre acoplam-se entre si, além do acoplamento entre fases. O cálculo do neutro precisa levar o circuito vizinho em conta.
Aterramento de transformador
corrente de terra admissível
No neutro do transformador, limita a corrente de falta à terra sem deixar o sistema isolado — preservando a sensibilidade da proteção de terra.
Recapacitação de linha
linha mudou → refazer a conta
Recondutoramento, mudança de compensação ou novo trecho alteram as capacitâncias. O reator de neutro que funcionava pode deixar de extinguir o arco.
ENGENHARIA
O diferencial de escopo: a DAX especifica o reator a partir do banco e da rede, compara propostas contra a mesma especificação e assina o projeto executivo.
Especificamos
Os parâmetros do reator saem do banco e da rede — não de um código de catálogo. O cliente recebe a especificação com a memória de cálculo que a sustenta.
Comparamos
Já cotamos fabricantes globais contra a mesma especificação. O que chega à obra é a peça certa para o sistema, não a que estava disponível.
Assinamos
Projeto executivo com ART. A responsabilidade técnica pelo dimensionamento fica com quem especificou.
DOCUMENTAÇÃO
Sem gating: nada atrás de formulário. Itens em cinza aguardam insumo — enquanto isso, a engenharia envia por WhatsApp.
CONFORMIDADE
ABNT NBR 5356-6
Transformadores de potência — Parte 6: Reatores. É a norma-base vigente no Brasil.
IEC 60076-6
Power transformers — Part 6: Reactors. Equivalente internacional da NBR 5356-6.
IEEE C57.16
Dry-type air-core series-connected reactors — prática norte-americana para o reator série a seco.
IEEE 519 / PRODIST módulo 8
Limites de distorção harmônica — a referência de aplicação que orienta filtro e dessintonia.
Ensaios de rotina
Resistência ôhmica, medição de indutância, perdas e sobretensão entre espiras, conforme ABNT NBR 5356-6 / IEC 60076-6. O critério de aceitação de perdas da linha própria é declarado em memorial de cálculo.
Ensaios de tipo
Elevação de temperatura e níveis de isolamento comprovam o projeto da série. O relatório de tipo sob ABNT NBR 5356-6 está em consolidação documental com as fábricas — ver Documentação.
O que acompanha o fornecimento
Desenho dimensional com as distâncias mínimas a massas metálicas e, quando o escopo é de banco, a memória de dimensionamento. O relatório de ensaio segue o escopo acordado em pedido.
Quando a proteção abre apenas a fase com defeito, o arco no ponto de falta continua alimentado pelas duas fases sãs, através do acoplamento capacitivo entre condutores. Essa corrente residual é o arco secundário. Em linha curta ela some sozinha; em linha longa de extra-alta tensão ela é grande o bastante para sustentar o arco durante todo o intervalo morto — e o religamento reacende a falta.
Não. Ele é necessário quando a linha opera com religamento monopolar e o estudo mostra corrente de arco secundário acima do que se auto-extingue no tempo morto disponível. Em linha com religamento tripolar, ou em trecho curto, o banco shunt vai com o neutro aterrado direto ou através de uma impedância bem menor.
Tecnicamente dá, mas é onde o problema costuma nascer. O valor do neutro só é correto para um determinado reator de linha e uma determinada linha: se o banco vier de outro fornecedor, com grau de compensação diferente do que entrou no cálculo, a extinção deixa de acontecer. Fornecemos os dois no mesmo escopo, com o estudo por trás.
É a mesma família construtiva em duas funções. No banco shunt de extra-alta tensão, o reator de neutro tem impedância alta e existe para ajustar a sequência zero e apagar o arco secundário. No aterramento de neutro de transformador, a impedância é bem menor e o objetivo é limitar a corrente de falta à terra. O dimensionamento parte de dados diferentes, e um não substitui o outro.
Praticamente não. Com o sistema equilibrado, a corrente pelo neutro é só o desequilíbrio residual — pequena. A solicitação real acontece durante a falta e no intervalo de religamento: é um regime curto, mas é ele que dimensiona a isolação e a amarração mecânica da unidade.
Os parâmetros da linha compensada — capacitâncias própria e mútua (ou os dados de geometria e condutor que permitam calculá-las), extensão, transposição e se é circuito simples ou duplo —, os dados do banco de reatores shunt e o tempo morto de religamento adotado. Se o estudo de arco secundário já existir, ele encurta o caminho.
Envie os parâmetros da linha compensada, os dados do banco de reatores shunt e o tempo morto de religamento adotado. A engenharia retorna com o valor do neutro, a corrente de arco secundário resultante e a memória de cálculo.
RELACIONADOS
Reator shunt
O banco de derivação de linha e de barra em que o reator de neutro se apoia.
Ver →Reatores de núcleo de ar
A família inteira: todos os tipos do portfólio e a linha publicada de amortecimento.
Ver →Bancos de capacitores
Banco shunt, automático ou em painel Metal Clad, com o reator integrado ao conjunto.
Ver →